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O que Elias tem em comum com Moisés?

1 Reis 19 descreve algo que, à primeira vista, pode parecer estranho. Depois de enfrentar os profetas de Baal no monte Carmelo e, em seguida, ser ameaçado pela rainha Jezabel, Elias viaja de Israel até bem longe, ao monte Sinai (1 Reis 19:8). Estando ali, Deus fala com ele e Se revela em “uma voz mansa e delicada”, em vez de no vento, no terremoto ou no fogo (1 Reis 19:12).

De início, alguém poderia se perguntar por que Elias viajaria uma distância tão grande, quando uma ida bem mais curta ao deserto provavelmente já bastaria para mantê-lo a salvo de Jezabel. No entanto, as ações de Elias se explicam quando as enxergamos como parte de um padrão maior em 1 Reis 19, no qual Elias é retratado de forma muito semelhante a Moisés.

As semelhanças entre os dois profetas

Há várias semelhanças entre as duas histórias. Tanto Elias quanto Moisés viajam ao monte Sinai (também conhecido como monte Horebe). Cada um deles passa quarenta dias sem comer (1 Reis 19:8; Êxodo 24:18; 34:28). Moisés e Elias aguardam dentro de uma caverna no monte Sinai (1 Reis 19:9; Êxodo 33:21–22). Ambos se queixam ao Senhor por se sentirem sozinhos.

O Senhor diz aos dois que passará diante deles. Moisés e Elias experimentam, cada um, um fogo no monte Sinai (1 Reis 19:12; Êxodo 19:18; 24:17). Os dois profetas vivenciam uma tempestade no monte (1 Reis 19:11; Êxodo 19:16; 20:18 — um vendaval para Elias e uma tempestade de trovões para Moisés). Cada profeta também passa por um terremoto (1 Reis 19:11; Êxodo 19:18). E ambos cobrem o rosto, Elias cobre o rosto com seu manto (1 Reis 19:13), e Moisés cobre o rosto com um véu (Êxodo 34:33–35).

Elias e Moisés

Uma surpresa: a voz mansa e delicada

Ao perceber todas essas semelhanças, o leitor provavelmente imagina que Elias agora experimentará o forte “sonido da trombeta”, como em Êxodo 19:16, 19; 20:18, além da voz retumbante de Deus, sugerida em Êxodo 20:1, 19, quando o Senhor entrega os Dez Mandamentos. Deuteronômio 5:22–26 deixa claro que a voz de Deus é, de fato, poderosa e alta. Para Elias, porém, acontece exatamente o oposto.

Em vez de uma voz estrondosa, ele ouve “uma voz mansa e delicada” (1 Reis 19:12). A palavra hebraica para voz (qol) é a mesma nas duas histórias, mas isso apenas reforça o contraste na forma como ela é ouvida. Elias, assim como Moisés, vivencia uma tempestade, um terremoto e um fogo. Desta vez, contudo, Deus não está na tempestade, no terremoto nem no fogo: Ele está na voz mansa e delicada.

O leitor espera que Deus Se revele de uma maneira dramática em 1 Reis 19, não apenas por causa de todas as alusões a Moisés, mas porque Deus acabara de Se revelar de forma impressionante em 1 Reis 18:38, fazendo descer fogo do céu para consumir a oferta de Elias e provar que Ele era superior ao falso deus Baal.

Mas, desta vez, Deus não Se revelou de maneira espetacular, como antes. Ele não falou a Elias com uma voz estrondosa vinda do monte Sinai, para depois descer e destruir os inimigos do profeta. Em vez disso, falou com ele em uma voz mansa e delicada e, então, o tranquilizou, garantindo que ele não estava sozinho e que tudo daria certo para ele (1 Reis 19:15–18).

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Como Deus fala conosco hoje

Assim como Elias, muitas pessoas talvez desejem que Deus intervenha de alguma forma dramática para resolver seus problemas. No entanto, Deus muitas vezes não age assim. Com mais frequência, Ele ajuda Seus filhos de maneiras bem mais sutis. No caso de Elias, Deus o ajudou dando-lhe a força de que ele precisava para fazer o que tinha de ser feito.

O mesmo pode ser dito sobre a forma como Deus fala conosco. O Presidente Boyd K. Packer ensinou: “O Espírito não chama a nossa atenção gritando nem nos sacudindo com mão pesada. Em vez disso, Ele sussurra. Ele acaricia tão suavemente que, se estivermos distraídos, talvez nem o sintamos.” E continuou:

“De vez em quando, Ele pressiona com firmeza apenas o suficiente para que prestemos atenção. Mas, na maior parte do tempo, se não dermos ouvidos a esse sentimento delicado, o Espírito Se retira e espera até que voltemos a buscá-Lo e a escutá-Lo.”

Às vezes, as pessoas podem viver a experiência de desejar que Deus intervenha para ajudar de um jeito mais dramático e se sentir decepcionadas quando isso não acontece. Contudo, a história de Elias nos lembra de que a ajuda de Deus, embora por vezes seja mais sutil ou delicada do que gostaríamos, continua sendo poderosa e transformadora na vida daqueles que O buscam e estão dispostos a ouvir Sua voz mansa e delicada.

Fonte: Scripture Central

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Post original de Maisfé.org

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